Intercâmbio Profissional na Índia

Índia – Intercâmbio profissional, AIESEC – Navi Mumbai

Nessa jornada do intercâmbio profissional, vou descrever nesse posts minhas primeiras impressões sobre esse país extremamente incrível e diferente!

Digamos que quando contei às pessoas que eu pretendia passar um tempo na Índia as reações foram de: “Nossa, Índia, que incrível…” até o famoso: “cara, você está ficando maluco!”. O fato é que a vontade de viver essa experiencia faz parte de um processo que venho planejando há vários meses e, com ajuda da AIESEC, consegui um trabalho em uma empresa Indiana. A ideia é ficar aqui por 3 meses, atuando como Analista de Negócios / Consultor de TI em um grupo de empresas chamado Amexs Technologies.

Se quiser mais detalhes, aqui eu falo um pouco mais sobre porque decidi fazer um intercâmbio, recomendo a leitura 🙂

A chegada

Após uma escala em Abu Dhabi, pousei em Mumbai (Costa Oeste da Índia) no dia 01-04-2016, 3 AM, horário local. Desembarque internacional é sempre um pouco mais complicado, o aeroporto de Mumbai é grande e eu fiquei surpreso com a estrutura. Ao chegar na imigração tive o primeiro contato com os indianos e já comecei a perceber as dificuldades na comunicação: eu não entendia quase nada do “inglês” deles!

Haviam algumas filas (com muita gente! = Índia) e alguns critérios para divisão das pessoas em cada uma delas, como: Indianos, visto obtido pela internet, passageiros de classe executiva ou primeira classe etc. Estava difícil conseguir achar o local onde eu deveria esperar….rs Eu passei por quase todas as filas, menos a do meio que era para cidadão Indiano… Eu entrava e perguntava se era ali que deveria esperar, mostrava meu passaporte ao guarda e falava que eu tinha visto de trabalho… aí o guarda falava que não era ali, mandava para outra e assim sucessivamente! Dessa forma eu fui em todas as filas e acabei parando na primeira, a mais vazia e que era destinada à passageiros da primeira classe!

Não era o meu caso mas felizmente deu tudo certo. Aqui vale mais uma observação inicial: a grosseria do atendente que analisou meu passaporte, ele carimbou o meu passaporte, me pediu a passagem área e foi embora! Disse para o colega do lado, “Assume esse aí que eu vou dar uma saída!”. Bem o importante é que eu consegui pegar minhas malas e tinha uma pessoa da AIESEC me esperando no aeroporto!

O caminho até Navi Mumbai

Ao sair de dentro do aeroporto senti o calor de Mumbai, clima bem seco com temperatura bastante elevada (Abril é verão aqui e chega a fazer 38/40 graus!), chuvas previstas apenas para Junho. Aliás, a seca está castigando a ASIA em 2016. Também foi meu primeiro contato com a diversidade de religiões: muçulmanos, islâmicos, hindus…

Minha primeira boa impressão foi com a estrutura do aeroporto e o nível de alguns carros. O taxi por exemplo era um Hyundai, Sedan, modelo recente, confortável, bem espaçoso porém com câmbio manual. Perguntei ao meu amigo indiano (Ayush) sobre as marcas de carro e ele disse que a Hyundai já tem uma participação interessante por aqui mas predominam marcas como Suzuki, Tata Motors e Mahindra.

O Percurso: Mumbai → Navi Mumbai

Estávamos indo à Navi Mumbai, local do meu trabalho, no entanto, eu ficaria 1 ou 2 dias na casa de uma menina da AIESEC pois minha acomodação estava sendo preparada. Em uma distância de cerca de 40km, entre Mumbai e Navi Mumbai notei:

– Boas estradas, praticamente sem buracos e em boas condições (privatizadas);

– Alto fluxo de carros, apesar do horário (04 ~ 05 a.m.);

– A intensidade que eles utilizam a buzina e a maneira como dirigem…. nada muito seguro!;

– Prédios aparentemente de alto padrão, casas menores, casebres ou favelas… em suma, basicamente o que temos no Brasil: muita desigualdade; e

– Muitas obras em andamento, pontes, prédios e estruturas de grande porte, pessoas trabalhando em algumas dessas obras, caminhões lotados transportando materiais (e gente!): sinal de um gigante emergente que está crescendo 7.5% ao ano! Relembro que eram 04 da manhã…. o país está a todo vapor.

Minha Família Indiana

Cheguei ao apartamento da minha amiga, ela não estava mas fui recepcionado por sua mãe. Fiquei surpreso com o apartamento e a maneira que a família vivia, realmente uma situação muito semelhante a nós, Brasileiros da classe média. Me senti realmente em casa, não tinha nada de tão diferente a não ser o costume de deixar os sapatos na entrada e tomar banho de canequinha =). Ah, sobre o banho depois darei maiores detalhes, é uma questão cultural aqui na Índia, bem normal as pessoas não usarem chuveiro. Soma-se o fato da seca e da falta d’ água, o banho de caneca torna-se obrigatório por uma questão de conscientização. Aqui vale uma ressalva: “Minha família indiana” não é tão conservadora sob o ponto de vista da religião e acredito que isso explica muitas semelhanças entre a minha família no Brasil e na Índia. Eu tive oportunidade de experimentar algumas comidas e vivenciar alguns costumes dos Indianos, em breve compartilharei isso com vocês.

A saga até meu apartamento definitivo

Ficar temporariamente na casa de uma família estava sendo confortável mas eu queria o meu espaço. No dia 02 de Abril encontrei uma outra pessoa da AIESEC que me ajudou na “mudança”.

Eu estava próximo a estação de Sampada e minha acomodação fica em Panvel, são 8 estações de distância e aproximadamente 35 minutos de trem. Teria sido muito fácil se a viagem fosse apenas essa, mas a Purvi (minha amiga da AIESEC) quis me levar primeiro para conhecer o meu local de trabalho….O problema é que eu tinha 3 malas (32 kgs + 15 kgs+ 7kgs!), imagina ficar subindo e descendo dos trens com todo esse peso, andando até encontrar o escritório (é, ela não sabia o local!). Não foi fácil, saímos de Sampada as 12 horas e cheguei no apartamento quase 18 horas.
Nesse percurso todo ocorreram muitas falhas de planejamento da AIESEC, como exemplo:

– Não sabiam onde eram exatamente os locais;

– Houve dificuldade para pegar a chave do apartamento;

– Quando eu cheguei não tinha absolutamente nada no apartamento

Apesar das pequenas falhas que exigiram muita energia de minha parte, sei valorizar o trabalho desse pessoal. Estão me ajudando muito. Faz parte do processo de aprendizado dizer a eles o que esperava e vice-versa.

Considerações Finais

Ter como destino a Índia em um intercâmbio mostrou-me que, mesmo tendo tido muitas experiências importantes nos últimos anos (pessoais e profissionais), ainda tenho muito o que explorar. Ao mesmo tempo que a Índia tem o lado das dificuldades, miséria, extrema pobreza e etc, é um país que proporciona um desenvolvimento humano incrível. Também ressalto que existe aqui o lado muito rico (o sistema de castas demonstra isso claramente).

Em um país como a Índia onde poucas pessoas falam inglês na rua, a comunicação passa a ser um desafio, você não consegue entender nada, fica perdido… é gente para todos os lados, e isso força você a sempre dar um jeito. Eu me considero com um perfil bastante empreendedor mas fiquei surpreso com algumas dificuldades que tive, pois a experiencia do intercambio é completamente diferente das situações que já vivi em minhas empreitadas no Brasil. Ao mesmo tempo venho descobrindo coisas incríveis, desenvolvendo muito o auto conhecimento ou Self Aware (Soft Skill); faz parte do plano do intercâmbio da AIESEC o desenvolvimento de competências e estou bastante satisfeito com o que a Índia está me proporcionando nesse sentido.

Vamos explorar muito mais sobre a Índia, te vejo logo mais 🙂

Abraço!

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